04 setembro, 2015

04/09/2015, 15:30 


Integrantes do PMDB e do Palácio do Planalto criticaram, nesta sexta-feira (4) e de forma reservada, as declarações dadas pelo vice-presidente Michel Temer em um encontro realizado com empresários na tarde desta quinta-feira (3). As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
O vice-presidente Michel Temer disse que Dilma Rousseff não chegará ao final do mandato caso mantenha altos índices de reprovação. Pesquisas recentes apontam que Dilma tem apoio de apenas 7% dos eleitores. “Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo”, sentenciou. O evento foi organizado por membros do movimento “Acorda, Brasil”, de oposição à presidente.
Segundo informações da Folha, “integrantes do Palácio do Planalto disseram que não esperavam uma linha pública de tão claro distanciamento”. “Até mesmo congressistas do partido que atuam em sintonia com o vice afirmaram, em caráter reservado, que Temer ‘caiu numa armadilha’ ao participar de um evento organizado por movimento que defende o impeachment da petista”, descreve o jornal.
O PMDB, atualmente, já discute uma maneira de deixar a base do governo, mas paulatinamente e integrantes da legenda enxergaram nas declarações de Temer uma possibilidade de que esse afastamento seja antecipado.

03 setembro, 2015

O placar apertado refletiu a polêmica durante a discussão do modelo de financiamento de campanha. O senador Jorge Viana (PT-AC) defendeu o fim das doações de empresas, prática que ele considera inconstitucional.

— Nós temos uma bela oportunidade de pôr fim a essa presença ilegal, inconstitucional e imoral, que é o envolvimento de empresários no financiamento de campanha. Empresa visa lucro e a política não pode ser uma atividade do lucro — avalia Viana

Na mesma linha está o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Lembrou que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal julgou como inconstitucional a doação de empresas. Segundo Randolfe, essa prática faz mal à democracia.

— Não há eleição em igualdade de disputa quando não se tem um equilíbrio entre as partes concorrentes. É tapar o sol com a peneira não compreender que os escândalos de corrupção ocorridos de 1988 até hoje tiveram relação direta com financiamento de campanha — disse Randolfe.

O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), lembrou que o financiamento de pessoa jurídica surgiu a partir da CPI do Orçamento, porque até então, segundo Cássio, todas as eleições eram financiadas pelo caixa dois.

— Não há problema nenhum que pessoa jurídica possa doar. Eu já recebi doações de pessoas jurídicas. Estão na minha prestação de contas e não por isso meu mandato é meio mandato, vinculado ou tolhido — afirmou Cássio.

O líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO) também defendeu as doações de empresas. Para ele, as contribuições feitas às campanhas eleitorais mantém, principalmente, as condições de a oposição enfrentar a máquina do governo.

— Quantos empresários me apoiam porque não querem ver amanhã o Brasil caminhar para o bolivarianismo? Quantos me apoiam porque não querem que o exército brasileiro seja o exército do Stedile — questionou Caiado.

O PLC 75/2015 aprovado nesta quarta-feira, mas que ainda terá que ter a redação final votada antes de ser remetido à Câmara dos Deputados, modifica três leis. Uma delas é o Código Eleitoral (Lei 4.737/1965). O relator da Comissão da Reforma Política, Romero Jucá (PMDB-RR), garantiu que a proposta traz mais transparência, diminuição de gasto de campanha, diminuição de tempo de televisão e melhor visibilidade das prestações de conta.

* Com informações da Agência Senado 

02 setembro, 2015

EXTRA - 02/09/2015, 20h18


Waldemir Barreto/Agência Senado

Os senadores decidiram há pouco, na sessão desta quarta-feira (2), que as empresas e demais pessoas jurídicas não podem mais doar dinheiro aos candidatos e aos partidos políticos. Por outro lado, as pessoas físicas estão autorizadas a contribuir até o limite do total de rendimentos tributáveis do ano anterior ao repasse dos recursos. O resultado da votação foi apertado (36 votos favoráveis e 31 contrários) e muito comemorado pelos senadores que defenderam a proposta.
Essa votação faz parte do debate sobre o PLC 75/2015, votado pelos deputados e que altera regras eleitorais, partidárias e políticas. O texto base dessa proposta de reforma política já foi votado pelos senadores, que agora analisam outras emendas à matéria.

Fonte: Agência Senado
 02/09/2015, 18h27
Jane de Araújo/Agência Senado

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou nesta quarta-feira (2) que, em resposta à crise econômica, o governo deve abandonar o “mantra obsessivo” em medidas que envolvam a criação de “mais e piores impostos”. A seu ver, a solução é partir para uma ampla reforma do Estado, com redução de ministérios, cargos comissionados e revisão de contratos.

— Agora é a hora da verdade. O governo não cabe mais no PIB e precisa reavaliar todos seus programas e conferir uma prioridade real àqueles que devam ser mantidos — defendeu.
Renan abordou a crise durante pronunciamento na solenidade de instalação da comissão de especialistas criada pelo Senado para cuidar da elaboração de anteprojetos de lei com a finalidade de desburocratizar a administração pública brasileira. Sugerida pelo senador Blairo Maggi (PR-MT), a comissão deve atuar para melhorar, simplificar e modernizar o tratamento dado às empresas e cidadãos nos balcões do serviço público.

Grito das ruas

O presidente disse que o Senado vem reagindo aos desafios desde a crise de 2013, quando “as ruas chacoalharam as instituições” em busca de uma agenda ética. Segundo Renan, a Casa fez sua parte e aprovou, em 20 dias, 40 projetos cobrados pela sociedade.
Diante da crise econômica de agora, lembrou que, após ouvir amplos seguimentos e firmar entendimentos com a Câmara dos Deputados, foi lançada a Agenda Brasil. Observou que a pauta envolve um conjunto de 28 propostas, em três eixos, com potencial para reaquecer a economia, melhorar o ambiente de negócios e trazer confiança ao país.
— O Congresso se propõe a ser o facilitador dessa busca por soluções — reafirmou Renan, assinalando que cabe ao governo efetivar as medidas que forem aprovadas.

Registro nacional

Quanto à nova comissão, Renan disse que uma de suas tarefas será rever a legislação sobre os processos administrativos, inclusive o fiscal, de modo a reduzir o padrão contencioso vigente. Também espera contribuições ao projeto do Registro Nacional Civil, apresentado ao Congresso pelo governo, para integrar informações dos principais documentos usados pelos brasileiros, como CPF, RG e Título de Eleitor.
— Queremos simplificar as exigências deste imenso cartório chamado Brasil e propor outras ideias que sirvam para descomplicar o país — salientou o presidente.

Colapso

Blairo Maggi também manifestou preocupação com a crise, a seu ver de extrema gravidade. Destacou a inflação e desemprego, a falência do modelo de educação e o colapso da saúde, entre outros problemas que estariam trazendo desesperança e tirando a fé dos brasileiros.
Para o senador, a situação exige um grande pacto nacional. Depois, desafiou o Senado a estimular o processo, pois entende que a Casa possui legitimidade para liderar reformas cruciais exigidas pelo país. Citou as já muito debatidas reformas tributária, fiscal e previdenciária, mas sem ações concretas. Também defendeu uma reforma administrativa, com enxugamento da máquina pública.
— Essa semana ficou demonstrado que as contas do Brasil não cabem dentro do seu orçamento — assinalou.
Blairo destacou ainda a importância de medidas desburocratizantes, o que lhe motivou a propor a criação da comissão de especialistas, composta de 16 membros, em sua maioria magistrados. Foi indicado presidente o ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça. O relator será o ministro Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Após elogiar os nomeados, Blairo disse que eles estão assumindo grande responsabilidade perante a nação.
— É imprescindível que a comissão envolva a sociedade civil organizada, que ouça as entidades e instituições dos mais diversos segmentos dos negócios, que tenham a sensibilidade para entender as dificuldades que travam o processo de desenvolvimento e que dificultam a vida do cidadão comum — disse.

Patrimonialismo

Mauro Campbell afirmou que a comissão de desburocratização pode ajudar no equacionamento de “anomalias” antigas, ainda sem a devida atenção. Observou que a influência do patrimonialismo e do personalismo na formação do Estado brasileiro motivou a criação de controle da administração na prevenção de “práticas seculares de corrupção e de malversação do erário”. Porém, conforme o ministro, esses controles também assumem padrões irracionais e acabam usados contra o próprio cidadão.
— A desburocratização cumpre o propósito de reformular a relação entre a administração pública e o administrado para que o cidadão, ao interagir com o aparelho estatal, não se sinta no constante dever de comprovar a sua idoneidade e boa fé, no desempenho dos atos mais comezinhos da vida civil — justificou.
Depois, em entrevista, o ministro revelou que a comissão deve examinar as atividades cartoriais. Segundo ele, os notários serão ouvidos, mas algumas mudanças precisam ser feitas, pois a seu ver o Brasil já não “tolera mais a situação do carimbo pelo carimbo”.

Fonte: Agência Senado
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (1º) o texto-base do Projeto de Lei Complementar 25/07, que aumenta em 250% o limite de enquadramento da microempresa no regime especial de tributação do Simples Nacional (Supersimples). Os destaquesapresentados ao texto serão analisados nesta quarta-feira (2).

Pela proposta, a receita bruta anual máxima permitida para a microempresa no Supersimples passará de R$ 360 mil para R$ 900 mil.

No caso das empresas de pequeno porte, a participação no sistema simplificado de tributação será permitida para o intervalo de R$ 900 mil a R$ 14,4 milhões anuais. Atualmente, é de R$ 360 mil a R$ 3,6 milhões. Essa faixa aumentou 400%.

Implantação gradual

O texto-base aprovado é uma emenda apresentada pelo relator, deputado João Arruda (PMDB-PR). A emenda prevê a vigência de todas as novas regras do projeto a partir de 1º de janeiro de 2016.

Entretanto, para as pequenas empresas, haverá uma transição. Em 2017, o novo limite será de R$ 7,2 milhões. Somente em 2018 poderão participar do Supersimples as empresas com receita bruta maior que essa, até R$ 14,4 milhões.

O ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, veio à Câmara acompanhar a votação. Ele afirmou que o prazo de transição é necessário porque 2016 será um “ano crítico” para as contas públicas e, por isso, o melhor é evitar medidas de renúncia fiscal. Segundo um estudo divulgado pela Receita Federal, o projeto acarretará perda anual de R$ 11,4 bilhões para os governos federal, estaduais e municipais.

Para o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), no entanto, o prazo maior foi desnecessário, pois essa renúncia seria compensada. "Se fortalecer a micro e pequena empresa, você fortalece o emprego, e o emprego gera riqueza. Porque a empresa funciona, paga o empregado, o empregado consome, então você cria um círculo econômico virtuoso, positivo", disse Hauly.

Faixas de tributação
Em vez de aplicar uma alíquota simples sobre a receita bruta mensal, o texto prevê uma alíquota maior, porém com desconto fixo específico para cada faixa de enquadramento. O número de tabelas também diminui, de 6 para 4 (comércio, indústria e duas de serviços), além da quantidade de faixas em cada uma delas (de 20 para 7).

O relator disse que a emenda votada foi fruto de uma discussão ampla com governadores e com as micro e pequenas empresas. “A tabela do Simples Nacional será agora um estímulo à micro e pequena empresa a crescer sem o medo de perder seu enquadramento”, afirmou Arruda, lembrando que o teto novo valerá a partir de 2018. “Conseguimos fazer uma lei moderna para o País”, ressaltou.

Tributo menor
Prestadores de serviços que estavam enquadrados na sexta tabela, com percentuais mais elevados, passam a ficar na quarta tabela. Estão nesse caso, por exemplo, os serviços de medicina, odontologia, psicologia, jornalismo e publicidade. A partir do segundo ano da publicação da futura lei complementar, esse reenquadramento poderá ser revisto, principalmente em função da arrecadação.

Entretanto, se as empresas que exercem essas atividades tiverem muito pessoal contratado, elas poderão passar para a terceira tabela, com alíquotas mais vantajosas. Pela regra prevista no projeto, a mudança de tabela ocorrerá se a razão entre o valor da folha de salários e a receita bruta for maior que 22,5%.

Empresas de construção e de projetos de paisagismo e empresas de serviços de limpeza, vigilância e conservação mudam da tabela quatro para a tabela três, com alíquota menor, mas continuam a ter de pagar por fora a contribuição patronal ao INSS.

A emenda aprovada permite ainda a inclusão dos produtores de bebidas alcoólicas artesanais nesse regime de tributação. A definição de atividade artesanal será feita pelo Ministério da Agricultura, em conjunto com a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, abrangendo cervejas, vinhos, licores e aguardentes.

Microempreendedor
Em relação ao microempreendedor individual (MEI), o projeto aumenta de R$ 60 mil para R$ 72 mil o teto de enquadramento. O MEI é aquele empresário que trabalha sozinho ou, no máximo, com apenas uma pessoa contratada. Ele pode pagar taxas fixas para contribuir com o INSS, oICMS e o ISS, sendo isento de tributos federais.

Uma das novidades do projeto nesse ponto é a permissão para que o agricultor familiar peça enquadramento como MEI. Isso não se aplica ao trabalhador rural, para quem a atual lei prevê o pagamento de todos os direitos trabalhistas e previdenciários se presentes os elementos característicos da relação de emprego.

Segundo o texto, os conselhos profissionais não poderão exercer seu poder de fiscalização se a atividade do microempreendedor não exigir registro da pessoa física.

Caso o MEI esteja inscrito como pessoa física no conselho profissional, este não poderá exigir nova inscrição na qualidade de empresário individual.

Parcelamento de dívidas
Para todas as micro e pequenas empresas, o texto prevê o aumento do prazo de parcelamento de dívidas no âmbito do Supersimples de 60 para 180 prestações mensais, cada uma no valor mínimo de R$ 100,00.


* Com Informações da Agência Câmara