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31 outubro, 2016
On 12:23 by Quorum in Brasil, Crise Econômica, Crise Política, Dilma Rousseff, Eleições 2016, Eleições 2018, Eleições Municipais, Impeachment, Lava Jato, Lula, PDT, PMDB, PSDB, PT No comments
A conclusão do 2º turno das eleições municipais de 2016 confirmou o reordenamento das forças políticas no pós-impeachment de Dilma Rousseff, com forte impacto negativo sobre o PT. Além de ter o seu pior desempenho em capitais desde 1985, com apenas uma vitória em Rio Branco (Acre), e de eleger pouco mais de 250 prefeitos neste ano, o PT perdeu 7 de cada 10 votos que havia conquistado em 2012. O partido dos ex-Presidentes Lula e Dilma somou 7,6 milhões de votos nos dois turnos da eleição para prefeito. Quase 70% a menos do que os cerca de 24,3 milhões de votos obtidos ao final da disputa de 2012. A redução de espaço deveu-se em boa parte à perda da prefeitura de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, de capitais importantes e de grandes cidades em regiões onde a sigla acumulava bons resultados, como o Nordeste e o ABC Paulista.
O partido despencou do 1º lugar em número de votos para a sexta colocação. A queda do PT coincide com o desgaste provocado pelo agravamento da crise econômica, por denúncias de corrupção contra lideranças petistas, os desdobramentos da Operação Lava Jato e o impeachment de Dilma.
Principal adversário do PT nas últimas duas décadas, o PSDB viu sua votação crescer 11% em quatro anos: saltou de 19,5 milhões para 21,7 milhões. Vice em 2012, foi a mais votada entre todas as siglas em 2016. A legenda vai comandar 24% do eleitorado do país, sete das 26 capitais estaduais, inclusive a paulista, e cidades onde não tinha tradição, como Porto Alegre e São Bernardo do Campo (SP), onde mora o ex-presidente Lula.
Embora tenha sido o partido que mais conquistou prefeituras este ano, a exemplo de 2012, o PMDB, do presidente Michel Temer, perdeu cerca de 1,4 milhões de votos de uma eleição para outra, queda de 7,6%. Ainda assim, os peemedebistas passaram do 3º para o 2º lugar no ranking de votos conquistados.
Também superaram o PT em número de votos este ano, somados os dois turnos, o PSB, o PSD e o PDT. Os pedetistas foram os únicos da base de apoio de Dilma a ver sua votação crescer: de 7,8 milhões de votos, há quatro anos, para 8,04 milhões agora.
Confira a votação obtida por cada partido na eleição para prefeito, em 2012 e 2016, ao final dos dois turnos:
| Partido | 2012 | 2016 |
| PSDB | 19.523.898 | 21.733.680 |
| PMDB | 18.654.619 | 17.232.952 |
| PSB | 10.357.846 | 10.283.810 |
| PSD | 6.543.039 | 9.165.019 |
| PDT | 7.783.559 | 8.045.545 |
| PT | 24.261.376 | 7.602.958 |
| PRB | 2.672.710 | 6.160.331 |
| PR | 4.231.135 | 6.092.206 |
| PP | 6.131.268 | 5.891.565 |
| DEM | 5.358.556 | 5.392.747 |
| PTB | 4.418.281 | 3.873.299 |
| Psol | 2.826.021 | 3.752.445 |
| PPS | 2.792.847 | 3.471.471 |
| PV | 2.370.199 | 2.095.621 |
| PCdoB | 2.671.328 | 1.996.308 |
| PSC | 2.073.321 | 1.766.736 |
| SD | - | 1.680.358 |
| PHS | 315.515 | 1.573.832 |
| PMN | 564.895 | 1.502.824 |
| Rede | - | 1.310.607 |
| PTN | 347.914 | 1.100.636 |
| Pros | - | 689.958 |
| PSL | 287.112 | 487.592 |
| PMB | - | 370.125 |
| PEN | - | 286.493 |
| PTC | 688.184 | 268.155 |
| PTdoB | 294.938 | 267.680 |
| PSDC | 227.149 | 211.648 |
| PRTB | 402.044 | 162.215 |
| PPL | 146.686 | 158.650 |
| PSTU | 176.336 | 77.952 |
| NOVO | - | 38.512 |
| PCB | 45.119 | 24.501 |
| PCO | 4.284 | 5.689 |
| Total | 126.172.191 | 124.776.136 |
03 junho, 2015
On 04:18 by Quorum in Congresso Nacional, Dilma Roussef, Eduardo Cunha, Eleições 2016, Eleições 2018, Michel Temer, Planalto, PMDB, Quorum, Renan Calheiros No comments
O espaço de tempo entre a última eleição presidencial e o início de junho foi suficiente para levar o Governo da euforia à apreensão. Após sucessivas derrotas no tabuleiro de Brasília, o PT e o Planalto terminam o semestre envolvidos por pesada sensação de entrincheiramento.
Cercado por diferentes oponentes, Dilma e seu partido sofreram assédio adicional de importantes setores de sua base de governo, majoritariamente distribuídos nas entranhas de um “único” partido: o PMDB. A inabilidade ao lidar com aquela legenda colocou a Presidenta e sua equipe em posição de xeque.
O partido de Ulysses Guimarães personifica atualmente as características históricas da política brasileira: é localista, acusado de fisiológico, internamente dividido e partilhado por diferentes líderes (cada qual senhor de seu exército). O PMDB é uma federação de forças políticas sem porta-voz único. É uma esfinge de muitas faces que precisam ser prudentemente decifradas.
O PMDB e a atual conjuntura: Rainha acuada, generais em disputa
O Planalto e a Presidenta encontram-se politicamente fragilizados, além de obrigados a lidar com os imperativos do ajuste fiscal e da recessão econômica. Diminuíram um ensaiado protagonismo no Congresso pela necessidade da gestão nos gabinetes. Acuada, Dilma reconheceu a necessidade de deixar a Michel Temer a responsabilidade pela coordenação política do Governo.
Assim, o PMDB tornou-se o principal campo da disputa do poder congressual. Seus “generais” (Temer, no Planalto; Renan Calheiros, no Senado; e Eduardo Cunha, na Câmara) promovem discreta e [ainda] institucional competição pela influência no partido e nos destinos da política nacional. Potencializada pela dificuldade de liderança dos partidos da oposição (em especial, do PSDB), a luta interna no PMDB pode se tornar a chave para a compreensão dos caminhos a serem tomados pelo país a partir de 2018.
Cunha, Renan e Temer: competidores de um jogo interno
O Presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) continua exercendo a função de principal liderança política do Congresso. Concretizando os desejos de protagonismo do chamado “baixo clero”, tornou-se o líder por excelência de um grupo parlamentar suprapartidário e com muitos compromissos práticos a serem renovados a cada mandato. É a manifestação do congressista pragmático, de concertação nos bastidores, com pauta conservadora e consciente de sua importância para o avanço das medidas econômicas do Governo. Disputa a influência em seu partido – mas não só – com vistas à construção de um ambiente que lhe seja amplamente favorável em 2018, ainda que seus objetivos para a ocasião não estejam claros.
Renan Calheiros (PMDB/AL) continua mantendo influência como Presidente do Senado. Tradicionalmente prestigiado nos Governos de que fez parte, enfrenta momento de relativa sombra graças ao fragoroso protagonismo de Eduardo Cunha, às escaramuças com o Governo na nomeação de cargos e às acusações no âmbito da Operação Lava Jato. Pertencente às tradicionais forças políticas de atuação regional, sabe que precisa manter seu destaque e liderança no PMDB para orientar os destinos da legenda nas eleições de 2016 e 2018. Neste sentido, disputa influência com forças em ascensão (como Cunha) e caciques consagrados (como Temer).
Político de perfil discreto, Michel Temer (PMDB/SP) conquistou proeminência política que não detinha ao longo do primeiro mandato de Dilma. O Vice-Presidente pertence à ala do PMDB que deseja – e necessita de – maior proximidade com o Governo e sua máquina. Seu sucesso nas gestões para a aprovação das primeiras medidas provisórias do ajuste fiscal reforçou a sua imagem de político habilidoso e seguro para momentos de crise. Sabe que, como Vice-Presidente, deve estar preparado para o imponderável da política (capaz de alçar os mais discretos a posições de Governo imprevistas), bem como para o já esperado pelo seu grupo político. Consciente da sempre renovada vontade da legenda em lançar candidato próprio à Presidência, atua para evitar que tal desejo seja aproveitado por “lideranças conjunturais” capazes de ameaçar o perfil do PMDB como partido indispensável para se governar o país.
Assim, enquanto Dilma e seu gabinete buscam gerenciar as necessidades da crise econômica, o PMDB e suas principais lideranças em Brasília fazem suas manobras tendo em vista as disputas de poder que se acercam interna e externamente.
O Congresso Nacional: a semana sem sobressaltos na véspera do feriado
Passada a fase de acaloradas votações em torno dos primeiros projetos ligados à Reforma Política, o Congresso Nacional passa por semana de relativa tranquilidade na véspera do feriado de Corpus Christi. Na Câmara dos Deputados, está prevista a viagem de comitiva liderada por Eduardo Cunha à Rússia, Israel e Palestina. Antes de sua partida, no entanto, anunciou intenção de votar a PEC n.º 171/1993 (que reduz a maioridade penal) ainda no mês de junho.
Em ato conjunto com o Renan Calheiros, Cunha também assinou a constituição de comissão mista para discutir anteprojeto da “Lei de Responsabilidade das Estatais” (que visa limitar o poder do Planalto ao determinar nomes para chefiar aquelas entidades, submetendo as indicações à aprovação do Senado).
Em ato conjunto com o Renan Calheiros, Cunha também assinou a constituição de comissão mista para discutir anteprojeto da “Lei de Responsabilidade das Estatais” (que visa limitar o poder do Planalto ao determinar nomes para chefiar aquelas entidades, submetendo as indicações à aprovação do Senado).
No Senado Federal, a semana segue igualmente tranquila após a aprovação do Substitutivo da Câmara n.º 9/2015 (que regulamenta a mediação judicial e extrajudicial como forma de solução de conflitos), com reuniões e audiências antecipadamente previstas no âmbito das comissões permanentes da Casa.
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